INVESTIGAÇÕES SOBRE A IGREJA SUD
JS 9 - mentalmente doente?

MENTALMENTE DOENTE?



Traduzido e adaptado – texto de Sandra Tunner (veja original AQUI)


Em 1993, Dialogue: A Journal of Mormon Thought, publicou um artigo de Lawrence Foster, que estabeleceu a sua crença de que Joseph Smith era mentalmente doente. Na página 15, Foster ressaltou que "a análise apresentada aqui sobre Joseph Smith e sua possível tendência para a psicose maníaco-depressiva não tem outra intenção além de uma especulação".


Em seu artigo Foster sugere que o envolvimento de Joseph Smith em poligamia pode, de fato, ter sido o resultado de uma depressão maníaca:


"Para colocar esse assunto em um contexto maior, vamos retornar às perspectivas de William James ... e perceber que os profetas religiosos, incluindo Joseph Smith, estavam de alguma forma, pelo menos inicialmente, 'doentes', 'perturbados', ou 'anormais’... Por que Joseph Smith sentia-se tão preocupado com a introdução do casamento plural entre os seus seguidores ... Houve algo psicológico escondido que ajudaria a dar sentido a este comportamento aparentemente obsessivo? ... Uma grande variedade de fatores, inclusive... a própria libido extremamente grande de Joseph Smith fez com que o casamento plural fosse uma idéia com um poder considerável sobre o profeta mórmon ... estava Smith, assim como alguns de seus seguidores mais fiéis, perdendo contato com a realidade durante seus últimos meses em Nauvoo ?


"Uma abordagem psicológica convincente para explicar esta e outras características intrigantes do comportamento do profeta mórmon durante esse período me foi sugerida por um psiquiatra mórmon, o Dr. Jess Groesbeck .... gradualmente o poder explanatório de [sua] interpretação pareceu mais e mais convincente para mim.


“Groesbeck argumentou que muitos aspectos do comportamento de Joseph Smith, especialmente durante os últimos anos de sua vida, são surpreendentemente semelhantes ao comportamento que os psiquiatras associam com a síndrome maníaco-depressiva. Embora se possa entender que qualquer indivíduo, sob as pressões que Joseph Smith enfrentou, poderia ter experimentado grandes variações de humor, no caso do profeta mórmon as alterações de humor parecem tão graves que podem ser clinicamente significativas.


“Groesbeck também apontou que há provas substanciais de que as tendências maníaco-depressiva tendem a ser herdadas. Embora muitas pessoas estejam conscientes que um dos filhos mais brilhantes e mais atraentes de Joseph Smith, David Hyrum, tragicamente caiu em loucura e passou os últimos anos de sua vida em uma instituição para doentes mentais, poucos sabem que pelo menos seis outros descendentes masculinos do profeta mórmon também sofreram de distúrbios psicológicos, incluindo psicose maníaco-depressiva ....


"De acordo com Harold I. Kaplan e Benjamin J. Sadock Comprehensive Textbook of Psychiatry/IV: .... ‘A atividade aumentada assume a forma de promiscuidade sexual, participação política, religiosa e preocupações .... delírios e alucinações não são incomuns .... É muito comum a pessoa se comunicar com Deus e ter revelações que ele ou ela tem uma finalidade ou uma missão especial. Os pacientes frequentemente se descrevem como um "instrumento" de Deus através de quem Deus fala ao mundo.


"Em as várias formas de doença maníaco-depressiva, as elevações maníacas alternam a forma bipolar, com períodos de depressão ....


"Como as descrições de mania psicológica encaixam-se com ações de Joseph Smith durante os últimos três anos da sua vida ... Para quem tem trabalhado em estreita colaboração com os registros da vida do profeta mórmon durante esses últimos anos, as semelhanças são impressionantes ....



"O mais óbvio é a extraordinária expansividade e grandiosidade do profeta mórmon ao longo deste período. Durante o último ano de sua vida ... Smith foi prefeito de Nauvoo e chefe de seu próprio exército privado, tornou-se ‘rei’ do seu reino secreto de Deus. .. concorreu à presidência dos Estados Unidos ... e foi o ‘marido’, de alguma forma, de dezenas de esposas ....



"Em nenhuma área as qualidades maníacas de Joseph Smith eram mais evidentes do que em seus esforços para introduzir e praticar a poligamia, durante os últimos três anos da sua vida. O ponto no qual Joseph Smith começou a introduzir a poligamia sistemática para seus mais próximos colaboradores tem forte sugestão de mania. ... o seu surto subsequente de atividade, com dezesseis ou mais mulheres com quem ele parece ter mantido relações sexuais como esposas plurais (o número total pode ter sido muito maior) é ainda mais sugestivo de hipersexualidade, que muitas vezes acompanha períodos maníacos." (Dialogue: A Journal of Mormon Thought, Winter, 1993, páginas 4, 7, 9-13)


A hipótese de Lawrence Foster de que Joseph Smith pode ter tido problemas mentais seria muito difícil para os estudiosos da BYU aceitarem. Para muitos mórmons, a idéia de que Joseph Smith não era mentalmente competente é muito mais ofensiva do que chamá-lo de fraude. As pessoas preferem acreditar que são muito inteligentes para não serem enganadas por alguém que seja mentalmente doente. Consequentemente, alguns mórmons consideram que este é o máximo insulto à sua inteligência.


Os Tanners expressaram sérias dúvidas de que Foster estivesse tentando ofender os mórmons. Na verdade, ele provavelmente sentiu que seu trabalho iria ajudar os intelectuais mórmons a substituirem a história oficial da igreja por algo mais verossímil.


Se a Primeira Visão for tida como uma alucinação, e a revelação de estabelecer a poligamia como um resultado natural de um maníaco-depressivo, então o comportamento estranho de Joseph Smith pode ser mais aceitável. 

Sob esta hipótese, muitas coisas sobre Joseph Smith podem ser explicadas. Por exemplo, na entrevista dos Tanner com Foster, ele afirmou que poderia explicar a "raiva feroz de Joseph Smith.. nos últimos anos de sua vida" [veja mais AQUI]. Também poderia ajudar a explicar porque Smith se tornou o chefe "de seu próprio exército privado” e se tornou "rei" secreto do reino de Deus ... [e] concorreu para o cargo de presidente dos Estados Unidos.


A idéia de que Joseph Smith mentalmente doente tem sido levantada há um certo tempo. Ao discutir as teorias sobre a origem do Livro de Mórmon, Francis W. Kirkham, um escritor mórmon, mencionou uma das teorias dos críticos ao mormonismo:


"O Livro de Mórmon foi escrito por Joseph Smith, uma pessoa sujeita a crises epilépticas no início da vida e depois com outras condições patológicas mentais". (A New Witness for Christ in America, 1951, vol. 1, página 350)


Dr. Kirkham, em seguida, citou o seguinte trecho do livro The Founder of Mormonism, escrito por Isaac Woodbridge Riley em 1902:


"Thurlow Weed, quando Joseph primeiro lhe apresentou o Livro de Mórmon, disse que ele era louco ou um impostor muito superficial. Não há nenhum motivo para um julgamento tão duro ... Há uma verdadeira e mais caridosa explicação – isto é, em outras palavras, Joseph Smith Junior foi um epiléptico."


Embora sempre cautelosos sobre como promover a idéia de que Joseph Smith tinha problemas mentais, os Tanner admitem que o trabalho de Foster é impressionante e certamente merece uma séria discussão. Apesar de não se sentirem competentes para dizerem que Joseph Smith foi afligido por uma depressão maníaca, eles sugerem que havia algo seriamente errado em sua vida.


É interessante notar que o avô de Joseph Smith, Solomon Mack, parecia sofrer convulsões. Ele até escreveu um livro que detalha alguns dos seus ataques, "acidentes graves", e visões incomuns que ele recebeu. Em seu livro, A Narraitve [sic] of the Life of Solomon Mack, o avô de Joseph Smith escreveu:


"Eu fui tomado por uma convulsão, quando viajava com um machado debaixo do braço ... eu fiquei sem sentidos da uma até as cinco horas da tarde. Quando voltei a mim ... eu estava todo coberto de sangue e muito cortado e machucado. Quando eu voltei aos meus sentidos, eu não podia dizer onde eu estava e nem para onde ia. Mas por sorte eu caminhei e cheguei à primeira casa ... " (Conforme citado Joseph Smith's New England Heritage,por Richard L. Anderson, 1971, página 43)


Embora o Dr. Anderson menciona que, "Houve também ‘algumas convulsões’ entre os seus transtornos posteriores", ele rejeita a idéia de que ele estava "aflito com epilepsia hereditária, o que também explica perfeitamente as visões do seu neto como crises epilépticas, com luzes piscando e lapsos de inconsciência. Mas nem o caso do avô ou do neto se enquadram em tais especulações. " (Ibid., p. 13)


Em uma nota de rodapé na página 166, Anderson diz:

"É até mesmo possível que Salomon tenha usado ‘convulsão’ no sentido de uma crise mortal, um estado corporal (seja doloroso ou não) que prenuncia a morte".


No entanto, Solomon Mack descreveu tantos acidentes em seu livro que nos faz pensar se não havia algo errado com este homem. De qualquer forma, na história oficial da Primeira Visão, Joseph Smith escreveu que, quando orava no bosque:


“... se apoderou de mim uma força que me dominou por completo; e tão assombrosa foi sua influência que se me travou a língua, de modo que eu não podia falar. Uma densa escuridão formou-se ao meu redor e pareceu-me, por um momento, que eu estava condenado a uma destruição súbita.”  (Pérola de Grande Valor, Joseph Smith - História, versículo 15)


Joseph Smith descreveu a notável visão que ele teve e então disse:


“Quando tornei a voltar a mim, estava deitado de costas, olhando para o céu. Quando a luz se retirou, eu estava sem forças; mas tendo logo me recuperado em parte, fui para casa.” (Ibid., versículo 20)


Embora Joseph Smith afirmou que teve uma visão real, existe uma similaridade com a experiência de seu avô em que ambos foram dominados e desmaiaram. Curiosamente, tanto Joseph e seu avô usaram a expressão: "Quando voltei a mim" (comparar com o versículo 20 com o de Solomon Mack acima citado).


Outro relato da visão aparece no diário de Joseph Smith em 1835. Este relato contém detalhes sobre um misterioso e estranho ruído que Joseph ouviu, mas que não foi publicado na versão oficial:


"Minha língua parecia ter inchado na minha boca, para que eu não pudesse falar. Ouvi um barulho atrás de mim, como o de uma pessoa andando em minha direção. Eu esforçei-me novamente para rezar, mas não consegui. O ruído pareceu aproximar-se. Eu coloquei-me sobre os meus pés (p. 23) e olhei ao redor, mas não vi qualquer pessoa ou coisa que teria produzido o barulho de passos". (An American Prophet's Record: The Diaries and Journals of Joseph Smith, edited by Scott H. Faulring, 1987, page 51).


É interessante notar que alguns dos pacientes que sofrem de epilepsia afirmam que ouvem "sons peculiares" pouco antes de um ataque (veja The American Medical Association Family Medical Guide, 1987, página 289). Qualquer que seja o caso, o fato de Joseph Smith afirmar que ouviu o som de "uma pessoa andando em direção” à ele, e que ele foi incapaz de ver, é certamente estranho.


Alguns críticos da Igreja SUD alegam que os elementos assustadores da visão, como Joseph Smith ser apoderado de uma força que o dominou por completo, a densa escuridão e atentativa de travar sua língua provam que a visão era demoníaca. Os mórmons, por outro lado, sustentam que Deus frustrou um ataque de Satanás e Joseph teve uma visão maravilhosa. A hipótese de Foster nos dá uma terceira alternativa: Joseph Smith pode ter sofrido de uma alucinação.


A experiência da Primeira Visão de Joseph não foi a única vez que ele desmaiou. Mais tarde, Joseph afirmou que ele foi visitado por um anjo três vezes à noite, e que o anjo lhe falou sobre as placas de ouro. Joseph escreveu:


“Pouco depois me levantei e, como de costume, fui cuidar dos afazeres do dia; mas ao tentar trabalhar como normalmente fazia, senti-me tão exausto que não consegui. Meu pai, que trabalhava perto de mim, percebeu que eu não estava bem e disse-me que fosse para casa. Saí com essa intenção, mas ao tentar atravessar a cerca do campo onde estávamos, faltaram-me as forças por completo e caí inerte ao solo, ficando completamente inconsciente durante algum tempo.
“A primeira coisa de que me lembro é uma voz chamando-me pelo nome. Olhei para cima e vi o mesmo mensageiro...” (Pérola de Grande Valor, Joseph Smith - História, versículos 48-49).


Também é interessante notar que tanto Solomon Mack quanto Joseph Smith afirmaram que oraram pedindo perdão à Deus. Ambos afirmaram que tiveram uma experiência espiritual na qual viram uma luz brilhante em sua casa em mais de uma ocasião. Mack escreveu:


"Eu estava aflito em pensar como eu tinha abusado do Sabbath e não tinha ouvido a advertência da minha mulher. Por volta da meia-noite, eu vi uma luz à meio metro de meu rosto, tão brilhante quanto fogo. As portas estavam fechadas e ninguém se movimentava na casa. Por isso eu pensei que tinha apenas mais alguns momentos de vida, e oh, como eu estava aflito. Rezei para que o Senhor tivesse misericórdia de minha alma e me livrasse deste poço horrível do pecado .... eu estava em aflição.


"Outra noite, logo depois, vi uma outra luz tão brilhante quanto a primeira, a uma pequena distância da minha face, e eu pensei que tinha apenas mais alguns momentos de vida." (Conforme citado Joseph Smith's New England Heritage, page 54)


Joseph Smith escreveu que depois que ele teve sua primeira visão, ele foi severamente tentado:


“...fui abandonado a toda sorte de tentações; e, misturando-me a todo tipo de gente, caí freqüentemente em muitos erros tolos, exibindo as fraquezas da juventude e as debilidades da natureza humana; o que, sinto dizer, levou-me a tentações diversas, ofensivas à vista de Deus....na noite do já mencionado vinte e um de setembro, depois de me haver recolhido, recorri à oração e à súplica ao Deus Todo-Poderoso para pedir perdão por todos os meus pecados e imprudências...

Enquanto estava assim suplicando a Deus, descobri uma luz surgindo em meu quarto, a qual continuou a aumentar até o aposento ficar mais iluminado do que ao meio-dia; imediatamente apareceu ao lado de minha cama um personagem....


“O quarto estava muito claro...Chamou-me pelo nome... Disse-me que havia um livro escondido, escrito em placas de ouro


“Após esta comunicação, vi a luz do quarto começar a concentrar-se imediatamente ao redor ...  o quarto voltou, então, ao estado em que estava antes de essa luz celestial aparecer.


“Fiquei meditando sobre a singularidade da cena... em meio a minha meditação, descobri subitamente que meu quarto começava novamente a ser iluminado e imediatamente vi o mesmo mensageiro celestial outra vez ao lado de minha cama.” (Pérola de Grande Valor, Joseph Smith -- História, versículos 28-30, 32-34, 43-44).



Joseph Smith, é claro, também afirmou que, quando ele teve sua primeira visão que:
“...vi um pilar de luz acima de minha cabeça, mais brilhante que o sol, que descia gradualmente sobre mim.” (Pérola de Grande Valor, Joseph Smith - História, versículo 16).



Embora seja apenas uma questão de especulação, se Foster está correto em sua hipótese sobre a psicose maníaco depressiva, o fato de que Joseph Smith escreveu: "Quando tornei a voltar a mim, estava deitado de costas, olhando para o céu"(verso 20) pode ser significativo.


Como ele estava deitado no chão, os raios do sol podem ter parecido uma luz ofuscante brilhando em seus olhos. Como Smith afirmou que a visão ocorreu na floresta no início da primavera, e que ele estava "olhando para o céu", é possível que o sol brilhando através dos ramos poderia ter lhe dado a impressão de que ele estava tendo uma visão.


Além dessas semelhanças, tanto Smith quanto seu avô tiveram uma experiência em que eles acreditavam que foram abordados por Deus ou por Cristo. Solomon Mack escreveu: "... fui chamado pelo meu nome cristão ..." (páginas 54-55) Smith também declarou: "Um deles falou-me, chamando-me pelo nome ..." (versículo 17)


Se Joseph Smith experimentou alucinações, como Foster parece acreditar, seria ir muito longe para explicar por que a história da Primeira Visão contém tantas contradições flagrantes. Na primeira versão, que ele escreveu em 1832, ele disse que havia apenas um personagem presente na visão: o Senhor Jesus Cristo (veja An American Prophet's Record: The Dairies and Journals of Joseph Smith, pages 5-6, e AQUI).


Na versão escrita em 1835, Smith afirmou que havia duas pessoas que ele não identificara. Além disso, no entanto, ele também disse que viu "muitos anjos nesta visão..." (Ibid., p. 51). Por fim, no relato oficial publicado em 1842, Smith afirmou que viu a Deus o Pai e Seu Filho Jesus Cristo! Esta versão omite a presença dos anjos na visão.


Além de uma série de outras contradições, Smith afirmou que a visão ocorreu no momento de um renascimento na área de Palmyra-Manchester. Em seu relato oficial, ele alegou que a Primeira Visão teve lugar "no início da primavera de mil oitocentos e vinte".

Wesley P. Walters, no entanto, demonstrou conclusivamente que não houve tal reavivamento na área de Palmyra-Manchester. Na verdade, Walters encontrou provas convincentes de que a revitalização não ocorreu até o outono de 1824! Para ver mais sobre os problemas da Primeira Visão, veja Mormonism: Shadow or Reality? By Tunners, pages 143-162-D, ou Inventing Mormonism, by H. Michael Marquart and Wesley P. Walters.


Se Joseph Smith sofreu convulsões e alucinações, seria mais fácil entender por que ele não contou uma história consistente sobre a Primeira Visão. Como foi mostrado acima, no relato oficial de Joseph da visão, ele disse que sentiu que estava "fadado à destruição." Ele também revelou que ele "estava prestes a sucumbir ao desespero e abandonar-me à destruição ..."


Em seu livro, Hearts Made Glad: The Charges of Intemperance Against Joseph Smith the Mormon Prophet, Lamar Petersen escreveu o seguinte:


"Os associados de Joseph algumas vezes falaram de sua palidez, quando ‘em visão’ ou quando recebia uma revelação. A filha de Adaline Knight Belnap registrou as impressão de sua mãe relativas ao profeta em um exemplo de passividade espiritual (espirituoso?).


“Ela lembra-se muito bem do dia anterior à morte de seu pai (Vinson Knight), de um pouco de emoção na escola. As crianças estavam ocupadas, quando a porta da sala da escola foi cuidadosamente abrerta e dois senhores entraram, carregando o corpo desfalecido de Joseph Smith. Todas as crianças saltaram a seus pés, pois o irmão Joseph estava amparado em seus braços, a cabeça apoiada no ombro de seu irmão, o rosto pálido como a morte, mas seus olhos estavam abertos, embora ele não parecia ver as coisas terrenas. A professora acalmou-os dizendo-lhes que o irmão Joseph estava em uma revelação, e eles estavam levando-o ao seu escritório acima da sala de aula." (Hearts Made Glad, 1975, página 206)


Enquanto não há dúvida de que Joseph Smith e outros líderes do início do mormonismo fizeram uso de bebidas alcoólicas (ver Mormonism: Shadow or Reality? pages 405-413 e AQUI), este estranho incidente poderia ser visto como provas da hipótese de psicose maníaco-depressiva de Foster.


Embora só podemos especular sobre se Joseph Smith teria herdado problemas mentais, é certamente possível que os acontecimentos traumáticos que experimentou poderiam ter tido um sério efeito sobre ele. Por exemplo, quando ele era apenas um menino, ele teve uma infecção extremamente grave em sua perna. Segundo a mãe, ele finalmente chegou a tal ponto que os médicos estavam convencidos de que "a amputação era absolutamente necessária para salvar sua vida". Sua mãe, no entanto, pediu aos médicos para fazerem "mais uma tentativa" para salvar a perna.


A mãe de Joseph passou a afirmar que ele se recusou a tomar qualquer aguardente ou vinho antes da operação. Consequentemente, ele não tinha nada para anestesiar a dor. Segundo a Sra. Smith, a operação foi horrível. 


O cirurgião Dr. Nathan Smith (foto ao lado), optou por uma técnica inovadora para tratar o que hoje chamamos de osteomielite. Ele eos cirurgiões tiveram que furar:


"...o osso da perna, primeiro em um lado onde o osso foi afetado e, em seguida, do outro lado, após o que eles finalmente partiram com um par de fórceps ou pinças. Eles, então, tiraram grandes pedaços de osso. Quando tiraram o primeiro pedaço, Joseph gritou tão alto, que eu não pude deixar de correr para ele ....


"Quando o terceiro pedaço foi tirado, eu corri para o quarto de novo - e oh, meu Deus! Que cena para olhos de uma mãe! A ferida aberta, o sangue continuando a jorrar a partir dela, e a cama literalmente coberta de sangue. Joseph estava pálido como um cadáver ... " (Biographical Sketches of Joseph Smith The Prophet, and his Progenitors for Many Generations, by Lucy Smith, 1853, pages 63-65)


Embora Joseph Smith ditou a sua lembrança da operação para a História da Igreja, ela nunca foi incluída no livro publicado. Enquanto os Tunners perceberam esta história em um microfilme do livro History na década de 1960, ela não foi disponibilizada ao público até 1970. O mórmon Reed Durham, finalmente, publicou-a na Brigham Young University Studies, Summer 1970, pages 481-82.


Joseph Smith afirmou que a doença aconteceu quando ele "tinha cinco anos mais ou menos" e disse que ele "enfrentou o sofrimento mais agudo por um longo tempo ..." Quando a amputação foi sugerida, ele respondeu: 
"... tão jovem como eu era, eu absolutamente me recusei a dar o meu parecer favorável à operação, mas consenti em que eles tentassem um experimento através da remoção de uma grande porção do osso ..."


Smith alegou que ele sofria de perseguição no início deste período de sua vida, o que, naturalmente, aconteceu anos antes de ter sua primeira visão:


"... Eu estava tão reduzido [de peso] que a minha mãe podia levar-me com facilidade.
"Depois que eu comecei a melhorar, passei a usar muletas até eu ir para o Estado de Nova York, onde meu pai tinha ido com a finalidade de preparar um lugar para mudar sua família, e ele enviou um homem até de nós de nome Caleb Howard ... Nos familiarizamos com uma família de nome Gates, que viajavam para o oeste, e Howard tirou-me do vagão e me fez viajar, no meu estado debilitado, pela neve, 60 km por dia, durante vários dias
Durante esse tempo eu sofri de grande cansaço e de uma dor excruciante, e tudo isso para que o Sr. Howard pudesse desfrutar da companhia das duas filhas do Sr. Gates, no lugar que ele tomara de mim na carroça. E assim ele continuou a fazer dia após dia, durante toda a viagem, e quando meus irmãos protestaram com o Sr. Howard relativo ao seu tratamento para comigo, ele derrubou-os com a coronha da sua arma.
Quando chegamos em Utica, N. York, Howard jogou nossos bens para fora da carroça, para a rua, e tentou fugir com os cavalos e carroça, mas minha mãe tomou os cavalos pelas rédeas ... No caminho de Utica, eu fui deixado para tomar o último trenó ... eu fui derrubado pelo condutor, um dos filhos de Gate, e me deixou caído sobre meu sangue, até que um estranho veio, me pegou e me levou para a cidade de Palmyra."


Dr. Reed Durham notou que este “documento encontra-se em Joseph Smith, ‘History’, livro A-1, pp. 131-132, localizado no Escritório do Historiador da Igreja SUD ..." (Ibid., p. 480)


Em seu livro, Biographical Sketches of Joseph Smith, página 69, a Sra. Smith realmente mencionou o problema que teve com o Sr. Howard e também afirmou que ele maltratou 
"meus filhos, especialmente Joseph. Ele obrigava-o a viajar milhas a pé, apesar de ele ainda estar coxo. "


Curiosamente, porém, ela não diz nada sobre a incrível alegação de seu filho, que ele andou em seu estado debilitado, pela neve ", 60 km por dia, durante vários dias...". Além disso, a Sra. Smith foi omissa no que diz respeito ao fato de que Joseph alegou que ele foi "derrubado pelo condutor ... deixou caído sobre meu sangue, até que um estranho veio, me pegou e me levou para a cidade de Palmyra."


A questão pode ser levantada quanto ao fato de Joseph Smith estar exagerando ou delirando. Por outro lado, embora seja difícil de acreditar, a mãe pode ter esquecido o incidente.


Não parece possível que Joseph Smith, que ainda estava "manco" desde a operação, poderia ter caminhado "60 km por dia, durante vários dias" na condição em que estava após a sua operação. Escritores mórmons afirmam que a operação foi tão grave que Joseph Smith ficou ligeiramente manco para o resto de sua vida.


A declaração de Joseph Smith que ele "tinha cinco anos mais ou menos" quando ele sofreu a operação está incorreta. Ele tinha, na realidade, um pouco mais de sete anos de idade na época. 

O escritor mórmon LeRoy S. Wirthlin mostra que a mãe de Joseph aponta a data de "1813" e observa que a alegação de Joseph de ser "por volta de 5 anos de idade, mais ou menos ... não teria colocado a família em West Lebanon, New Hampshire, no momento da epidemia [de febre tifóide] (ver Brigham Young University Studies, Spring  1981, página 146).


Enquanto Lucy Smith não escreveu nada sobre seu filho ser deixado sobre seu sangue, ela alegou que uma noite, quando Joseph
"estava passando pela porta do quintal, uma arma foi disparada em sua direção, com a intenção evidente de atirar nele. Ele saltou para a porta muito assustado. Nós imediatamente fomos em busca do assassino ... Na manhã seguinte, encontramos suas faixas em uma carroça, onde ele estava quando disparou ... Nós não descobrimos ainda o homem que fez esta tentativa de homicídio, e também não descobrimos a causa disso." (Biographical Sketches of Joseph Smith, página 73)


Embora alguém possa pensar que isso tinha algo a ver com o trabalho de Joseph Smith sobre o mormonismo, a Sra. Smith deixou claro que isso foi antes de sua Primeira Visão.


Além destas experiências, em 1832, Joseph Smith foi realmente coberto com alcatrão e penas, por uma multidão furiosa. Fawn Brodie afirmou que a multidão:



"arrastou Joseph ... despiram-no, arranharam e bateram nele com um prazer selvagem, e cobriram seu corpo sangrando com alcatrão da cabeça aos pés .... eles cobriram-no com penas. Diz-se que Eli Johnson exigiu que o profeta fosse castrado, pois havia a suspeita de Joseph ser muito íntimo da irmã dele, Nancy Marinda. Mas o médico que tinha sido convencido a se juntar a multidão, negou-se ..." (No Man Knows My History, 1971, página 119).


É interessante que Nancy Marinda Johnson, mais tarde, tornou-se uma das esposas plurais de Joseph.


De qualquer forma, parece possível que a combinação da operação horrenda e do cruel assédio moral poderia ter resultado em problemas sérios para a sanidade de Smith. O Transtorno de Estresse Pós-Traumático, por exemplo, é provocado por experiências muito chocantes. O Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, quarta edição, página 424, dá esta informação:


"A característica essencial do Transtorno de Estresse Pós-Traumático é o desenvolvimento de sintomas característicos após a exposição a um extremo estressor traumático, envolvendo a experiência pessoal e direta de um evento que envolve ameaça de morte ou lesão grave ... Os acontecimentos traumáticos que são vivenciados diretamente incluem ... agressão pessoal violenta ... "


É óbvio que a agressão sofrida por Joseph Smith foi uma "agressão pessoal", e que poderia ter afetado o seu estado mental. Se ele estava propenso à psicose maníaco-depressiva, como Foster parece acreditar, estes episódios poderiam ter tido um efeito devastador em sua conduta.


Curiosamente, Sidney Rigdon (que mais tarde foi escolhido para ser o primeiro conselheiro de Joseph Smith na Primeira Presidência) também foi coberto por alcatrão e penas ao mesmo tempo, assim como Joseph Smith. Embora Rigdon tivesse alguns problemas mentais desde a época que ele caiu de um cavalo quando ainda criança, o assédio moral tendeu a agravar o problema.


Na History of the Church de Joseph Smith, vol. 1, página 265, encontramos a seguinte afirmação:


"Na manhã seguinte, fui ver o Élder Rigdon, e encontrou-o enlouquecido ... eles tinham  arrastado-o pelos calcanhares ... tão alto em relação ao solo que não podia levantar a cabeça da superfície áspera, congelada [o chão], que é extremamente dilacerante. E quando ele me viu, ele chamou a esposa para trazer-lhe uma navalha ... para me matar. A irmã Rigdon saiu do quarto, e ele me pediu para trazer a navalha ... Ele queria matar sua esposa, e ele continuou delirando alguns dias ".


Poucos anos depois, Sidney Rigdon ainda estava ameaçando a vida das pessoas. No jornal da Igreja Mórmon, The Nauvoo Neighbor, 4 de dezembro de 1844, o apóstolo Orson Hyde relatou:


"Élder Rigdon associou-se à Joseph e Hyrum Smith como conselheiro da Igreja, e ele me disse em Far West que era imperativo que a Igreja obedecesse a palavra de Joseph Smith, ou da presidência, sem questionar ou inquerir, e que se houvesse alguém que não o fizesse, eles deveriam ter sua gargantas cortadas de orelha [a orelha]."


Após a morte de Smith, Rigdon foi finalmente excomungado da igreja. Em seu livro, Sidney Rigdon: A Portrait of Religious Excess, Richard S. Van Wagoner apresenta evidências bastante convincentes de que Rigdon sofria de psicose maníaco-depressiva grave - a mesma aflição que Lawrence Foster gostaria de ligar à Joseph Smith.

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