INVESTIGAÇÕES SOBRE A IGREJA SUD
PRIMEIRA VISÃO - contradições

CONTRADIÇÕES NA PRIMEIRA VISÃO


"A Primeira Visão do Profeta Joseph Smith constitui a base da Igreja que mais tarde foi organizada. Se esta Primeira Visão foi apenas uma ficção da imaginação de Joseph Smith, então a Igreja Mórmon é o que seus caluniadores declaram ser - uma impostura ímpia e deliberada" (The Abundant Life, pp. 310-311).


 Se existe uma chance, ainda que remota, de que este ponto central na história Mórmon seja uma invenção, qual o "Santo dos Ultimos Dias" (SUD) não quereria saber todos os fatos pertinentes? Este texto fornece evidência histórica que coloca A Primeira Visão de Joseph Smith sob uma nova luz. Muitos Santos dos Ultimos Dias hoje continuam desconhecendo detalhes históricos significantes que foram intencionalmente omitidos ou suprimidos, inclusive os seguintes fatos [2]:


(1) De acordo com a evidência histórica, o fato de Joseph Smith ter se perguntado qual era a igreja verdadeira não poderia ter sido movido por um reavivamento em 1820, já que não houve reavivamento em 1820 em nenhum lugar próximo a Manchester, Nova York, onde ele estava vivendo. 

Um reavivamento, como descrito por Joseph Smith, ocorreu lá, sim, em princípios de 1824. Contudo, isto vem então destruir seriamente toda a história de Joseph, porque nao há tempo suficiente entre a Primeira Visão e a publicação, em 1830, do Livro do Mórmon, para todos os acontecimentos descritos na história da Primeira Visão.


(2) Existem outros relatos anteriores à Primeira Visão, inclusive um manuscrito do próprio Joseph Smith, que não faz nenhuma menção à aparição do Pai e do Filho. Pelo contrário, estes relatos anteriores se referem a um anjo, um espírito, muitos anjos, ou o Filho. A história na forma atual, com o Pai e o Filho, não aparece até 1838, muitos anos depois que Joseph alegou ter tido a visão.


(3) Os detalhes agora conhecidos sobre o começo da vida de Joseph contradizem sua alegação de que ele foi perseguido em 1820 por contar a história da Primeira Visão. Como jovem, ele participou de encontros Metodistas, e mais tarde entrou para uma classe de aula da Igreja Metodista. Nenhuma perseguição foi registrada.


Nenhum Reavivamento Em 1820


A vizinhança de Joseph Smith não experimentou nenhum reavivamento em 1820 como ele descreveu, no qual "grandes multidões" teriam entrado para as igrejas Metodista, Batista e Presbiteriana. 


De acordo com fontes anteriores, inclusive relatórios de conferências de igrejas, jornais, informativos eclesiásticos, registros de presbíteros e entrevistas publicadas, nada ocorreu em 1820-21 que se encaixe com a descrição de Joseph. 


Não houve ganhos significativos no número de membros das igrejas dentro da área de Palmyra-Manchester, Nova York, [3] durante o período de 1820-1821 tais como sucedem em grandes reavivamentos. Por exemplo, em 1820 a Igreja Batista em Palmyra somente recebeu 8 pessoas através de profissão de fé e batismo; a Igreja Presbiteriana foi acrescida de 14 membros, enquanto que o circuito Metodista perdeu 6 membros, caindo de 677 em 1819 para 671 em 1820 e descendo para 622 em 1821. [4]


Em seu relato de 1838, Joseph Smith afirmou que sua mãe, irmã e dois irmãos foram levados a entrar para a Igreja Presbiteriana local como resultado desse reavivamento de 1820. Entretanto, a mãe de Joseph, Lucy, nos conta que o reavivamento que a levou a entrar para a igreja aconteceu depois da morte de seu filho, Alvin. Alvin morreu em 19 de novembro de 1823, e em seguida àquela perda dolorosa Lucy Smith relata que:

"...nessa época houve um grande reavivamento na religião, e a vizinhança inteira ficou muito entusiasmada com o assunto; e nós, em meio ao resto do pessoal, nos arrebanhamos para a casa de reuniões para ver se havia uma palavra de consolo para nós, que pudesse aliviar nossos sentimentos sobrecarregados" (Primeiro esboço de Lucy Smith's History, pág. 55, Arquivos da Igreja SUD).


Lucy acrescenta que embora seu marido somente houvesse participado das primeiras reuniões, ele não fazia objeção de que ela ou as crianças "fossem à igreja ou se tornassem membros."


Existe bastante evidência adicional de que o reavivamento ao qual Lucy se refere tenha mesmo ocorrido no começo da primavera de 1824. Foi relatado em pelo menos uma dúzia de jornais e informativos religiosos (veja por exemplo, uma carta de George Lane, datada de 25 de janeiro de 1825, no Methodist Magazine 8, [abril de 1825]: 159, e uma nota num jornal de Palmyra, o Wayne Sentinel 1 [15 de setembro de 1824] :3). [5] 


Registros de igrejas dessa época mostram relevantes acréscimos no número de membros devido ao recebimento de novos convertidos. A Igreja Batista recebeu 94, a Igreja Presbiteriana 99, enquanto que a obra Metodista aumentou mais 208 membros. 


Porém, nenhum reavivamento trazendo "grandes multidões" ocorreu em 1820 na área de Palmyra-Manchester, como Joseph alegou. Fica claro, a partir destas evidências, que o reavivamento que Joseph Smith descreveu não ocorreu em 1820, mas em 1824. 


Quando Joseph Smith escreveu a versão de 1838 de sua história, ele arbitrariamente mudou o reavivamento quatro anos para trás e o fez parte de uma estória da Primeira Visão que nem sua mae nem outros associados próximos tinham ouvido falar naqueles dias. (Para mais detalhes veja: Dialogue: A Journal of Mormon Thought, Spring, 1969, págs. 59-100.)


Uma discrepância de quatro anos causa algum problema maior para a estória de Joseph? Certamente que sim! Joseph descreveu uma sequência de 10 anos de acontecimentos que começa com a Primeira Visão e termina com a publicação do Livro de Mórmon em 1830. Se esta sequência não começa até 1824, sobra apenas seis anos para se encaixar a sequência dos dez anos que Joseph alega que ocorreram antes do Livro de Mórmon ser impresso. 

Como aparece na história da escritura Mórmon, Joseph diz que em 1823, três anos depois da Primeira Visão de 1820, ele foi visitado pelo anjo Moroni. Moroni fala para Joseph sobre as placas de ouro, mas diz que ele deveria esperar quatro anos até obtê-las. Em 1827 Joseph consegue as placas de ouro e três anos mais tarde (1830) publica o Livro de Mórmon.


Entretanto, lembre-se que Joseph ligou a Primeira Visão a um grande entusiasmo na área de Palmyra-Manchester. Como documentado acima, agora sabemos que este reavivamento ocorreu, nao em 1820 mas em 1824. Isto significa que a visita inicial do anjo Moroni três anos depois da Primeira Visão teria que ser datado em 1827. Quando nós acrescentamos os quatro anos adicionais que Joseph disse que tinha que esperar para conseguir as tábuas, ele não as poderia ter recebido até 1831. A esta altura o Livro de Mórmon já estava impresso. 


A sequência de 10 anos de acontecimentos que Joseph desvenda nesta estória da Primeira Visão simplesmente não se encaixa no período de tempo entre 1824 e a data de publicação do Livro de Mórmon em 1830.


Como é que a história das origens dos Mórmons se torna tão confusa? Parte da resposta é encontrada no fato de que o próprio Joseph Smith contou a história de várias maneiras diferentes.

O relato de sua primera visão, dado por Joseph Smith, é uma história fantástica. Mas por ser uma visão, uma experiência pessoal, não há como provar sua veracidade. 





Os que a aceitam, tem que aceitá-la pelo testemunho de um rapaz de 14 anos, sem que outros a verifiquem. 


Se alguem rapaz de 14 anos dissesse hoje que Deus lhe visitou e que disse que a igreja SUD é apóstata, iriam crer facilmente nele como crêem em Joseph Smith? E se não, por que não? 


Haveria tanta evidência a favor de sua visão como para a de Smith. Qualquer uma das duas requer que se aceite seu testemunho por fé sem qualquer evidência.


A Bíblia, por outra parte, afirma que "ninguém jamais viu a Deus" (Jo. 1:18, 1 Jo. 4:12). Em em Ex. 33:20 também Deus diz: "não me verá o homem e viverá". 

Uma razão porque os homens não podem ver a Deus é porque Deus é Espírito (Jo. 4.24) e o espírito é invisível. Assim diz Cl.1:15 e 1 Tm. 1:17, que Deus é invisível. E 1 Tm. 6:16 diz que Deus "habita em luz inacessível, a quem nenhum dos homens tem visto nem pode ver".


No entanto, o relato de Joseph Smith não só contradiz a Escritura, mas a história secular também. Não há maneira de examinar sua pretensão de haver visto a Deus. 


Mas pode-se pôr à prova os eventos que moveram Smith a perguntar a Deus: "qual igreja tem razão?" 


Na Pérola de Grande Valor, Smith diz que houve uma grande agitação entre todas as seitas na região onde vivia e que "grandes multidões se uniam aos diferentes partidos religiosos". Menciona especialmente as igrejas metodista, presbiteriana e batista entre as que tomaram parte no grande avivamento. Nos versículos 14 e 22, diz que isto sucedeu em 1820, quando ele tinha 14 anos. 


Mas Wesley Walters examinou todas as crônicas disponíveis naquela região, buscando informações sobre tal avivamento. Descobriu que não há menção de nenhum avivamento ali em 1820 (veja seu folheto New Light on Mormon Origins, publicado pela "Utah Christian Tract Society" Box 725, La Mesa, CA., 92041). Um avivamento da importância indicada por Smith sempre deixa sinais. Mas se houve tal avivamento em Palmyra em 1820, ninguém viu exceto Smith.


 Guilherme Smith, irmão de Joseph, escreveu um livro chamado William Smith on Mormonism, citado comumente pelos líderes dos SUD sobre o avivamento de 1820. Mas Guilherme Smith não fixa a data do avivamento de 1820. Diz que aconteceu em 1822 e 1823 e que José tinha 18 anos (isto estabeleceria a data em 1824). Diz que o avivamento foi dirigido por um ministro presbiteriano, o Rev. Stockton, o que havia pregado no funeral de Alvin Smith, antes dessa data, indicando que Alvin foi ao inferno. E que por isto Joseph Smith não se uniu à igreja presbiteriana.


Mas se o Revdo. Stockton pregou no funeral de Alvin antes desse avivamento este não poderia ter acontecido em 1820, porque a lápide em seu túmulo diz que morreu em 19 de novembro de 1823. A data 19 de novembro de 1824, na Pérola de Grande Valor, é um erro. 


O jornal Wayne Sentinel de Palmyra, Nova Iorque, mostrou o anúncio em vários números começando em 25 de setembro de 1824, dizendo que Joseph Smith (o pai do profeta Smith) mandou desenterrar o corpo de Alvin. Joseph disse que o avivamento teve lugar na primavera; assim, a data mais antiga em que poderia acontecer depois da morte de Alvin, seria 1824.


Além disso, o Rev. Stockton e o Rev. Lane (mencionados como tomando parte no avivamiento) chegaram a Palmyra somente em 1824 e o Rev. Lane não chegou até julho desse ano para começar a trabalhar no círculo metodista e ficou somente até janeiro seguinte por sua má saúde. 


Estes dados foram perfeitamente confirmados. Qualquer avivamento em que os dois tomaram parte, teria que acontecer na última parte de 1824, não em 1820. O Wayne Sentinel reporta um avivamento em 1824-25, mas nada de tal coisa em 1820.


Os jornais nada disseram sobre a visão de Joseph Smith, nem da perseguição que disse que sofreu em 1820. Se o clamor e o movimento nas igrejas existiu, tal como Joseph o descreve na PGV 1:5, 6,9 e 10, é difícil crer que nesse mesmo ano as igrejas se uniram para perseguir o rapaz de 14 anos (Joseph diz que tinha essa idade, no v.22).


As crônicas desse período não indicam nenhum conflito eclesiástico como Joseph Smith o menciona. As estatísticas conservadas pelas várias igrejas tampouco indicam nenhum avivamento em 1820 em Palmyra. A igreja presbiteriana registrou avivamentos em 1817, 1824, 1829 e em outros anos, mas nenhum em 1820. A igreja batista ganhou exatamente cinco membros pelo batismo em 1820. O circuito metodista que incluía Palmyra, registrou perdas de 23 pessoas em 1820 e de 40 em 1821. Isto dificilmente indica que houve avivamento em 1820 em que "grande multidões se uniam aos diferentes partidos religiosos" como afirma PGV, Joseph Smith 1:5.


Mas já em 25 de setembro de 1825 o avivamento já havia terminado. Os presbiterianos registraram um aumento de 99 pessoas, os batistas 94 e os metodistas, 208. Se Joseph teve sua primeira visão na primavera depois do avivamento, teria sido em 1825. Mas essa data foi depois da "segunda visão". Esta aconteceu, segundo ele, quando Moroni lhe falou das placas de ouro em 21 de setembro de 1823. Por isto, a visão de Moroni teria que ser mudada a outra data não antes de setembro de 1825.


Smith informa haver visto a Moroni sucessivamente por quatro anos, detalhe que nos leva a setembro de 1829, ou seja, antes de receber as placas de ouro. Só então poderia dar início sua tradução (PGV, José Smith 1:29 y 53). Mas como se poderia traduzir todo o LM em junho de 1829, se Smith não recebeu as "placas de ouro" até setembro de 1829? (veja A Short History of the Church of Jesus Christ of the Latter Day Saints, p. 18.)


A data do avivamento é muito importante. Se não houve avivamento em 1820, falta o motivo que levou Smith perguntar a Deus qual igreja tinha razão. E se foi o avivamento de 1824-25 o que provocou a pergunta de Smith, então a história dos mórmons e sua cronologia estão em terrível conflito. 



Uma História Em Constante Mudança - de anjo no quarto à Deidade no bosque!
















Atualmente, existem NOVE diferentes versões da primeira visão de Joseph Smith. E elas não contém pequenas variações da mesma história básica, o que poderia ser facilmente explicado. Elas são histórias diferentes!

As diferenças incluem sua idade, onde ele estava quando teve a visão, quantos seres ele viu, se os seres eram anjos ou a deidade, e o que foi realmente dito à ele. Ainda, uma das versões que foi escrita de próprio punho contradiz a versão oficial que se encontra em Pérola de Grande Valor.

As evidências mostram que ele mudou sua história radicalmente cada vez que ela era contada, até finalmente evoluir para o que os SUD chamam de "versão oficial".

O fato de Joseph alterar sua versão de um fato indica que este fato não foi real. Se ele realmente teve essa visão incrível, tudo estaria impresso em sua mente. Por exemplo, ele não se confundiria se tivesse visto um único anjo ou Deus, o Pai e Seu filho Jesus Cristo juntos. Também não se confundiria se a visão ocorreu no seu quarto ou no bosque.

Apesar de alguns SUD do início da igreja saberem das versões iniciais da primeira visão, a literatura mórmon mostra que até 1838, dezesseis anos após o evento ter supostamente ocorrido, nem mesmo uma alma tinha ouvido a versão que hoje é conhecida. Nem mesmo a família de Smith sabia desta versão. 

O relato da primeira visão, que Smith escreveu em 1832, foi referido como a "estranha história" de Joseph, nunca foi terminada e por muitos anos permaneceu inacessível ao público. Foi publicada em BYU Studies [Estudos da Universidade de Brigham Young], Primavera de 1969, pág. 278ff, e também está incluída em The Personal Writings of Joseph Smith [Escritos Pessoais de Joseph Smith] de Dean C. Jesse (Salt Lake City: Deseret Book, 1984). 

Nesta versão, Joseph se apresenta como um garoto que, entre a idade de 12 e 15 anos, era um leitor da Bíblia perceptivo e comprometido. Ele alega que foram seus estudos das Escrituras que o levaram a compreender que todas as denominações estavam erradas. Ele escreveu:


". . . buscando nas Escrituras, descobri que a humanidade não se achegou ao Senhor, mas que apostatou da verdadeira fé viva, e que não havia sociedade ou denominação que se tivesse construído sobre o Evangelho de Jesus Cristo, como registrado no Novo Testamento" (Personal Writings [Escritos Pessoais] pág. 5).


Seis anos mais tarde, quando Joseph lançou seu relato oficial da Primeira Visão, ele mudou sua história e não mais alegou que seu estudo pessoal da Bíblia o tivesse levado à conclusão de que todas as igrejas estavam erradas. Pelo contrário, ele disse que o Pai e o Filho lhe disseram que todas as igrejas estavam erradas e que "ele não deveria entrar para nenhuma delas" (ironicamente, os historiadores Mórmons documentaram o fato de que Joseph Smith entrou para uma classe de aula da Igreja Metodista em 1828. [6]


Ele alegou estar surpreso de seu pronunciamento, pelo que acrescentou entre parênteses que "nessa época nunca tinha passado por seu coração que todas fossem erradas". Joseph, porém, se contradiz, pois em alguns parágrafos anteriores, nesse mesmo relato, ele afirmou: 
"Eu frequentemente dizia para mim mesmo . . . Qual de todos esses grupos está certo? Ou estão todos errados de uma vez?

Esta declaração aparece no manuscrito original (veja o Brigham Young University Studies, citado anteriormente, pág. 290). 

Porém, uma contradição tao séria assim não poderia ser permitida a continuar sendo parte da versão oficial, e depois da morte de Joseph as palavras embaraçosas foram tiradas da edição.


Mesmo sem a contradição, o relato de 1838 se conflitua com a versão de 1832. No relato de 1832, é a leitura da Bíblia de Joseph que o move a buscar a Deus, enquanto que na história de 1838 é um reavivamento (não-existente em 1820) que o motiva. 


Na versão de 1832, Joseph somente menciona a aparição de Cristo, enquanto que na de 1838 ele alega que tanto o Pai como o Filho apareceram. 


No relato de 1832, ele já sabe que todas as igrejas estao erradas, enquanto que na história de 1838 diz que nunca lhe ocorreu que todas fossem erradas até que as duas deidades o informaram deste fato.


A mãe de Joseph, da mesma forma, não sabia nada de uma visão do Pai e do Filho no Bosque Sagrado. No seu relato não-publicado, ela põe a origem do Mormonismo numa visita de um anjo ao quarto. Joseph, nessa época, estava:


"ponderando sobre qual das igrejas era a verdadeira." O anjo lhe disse: "não há uma igreja verdadeira na Terra; não, nenhuma" (Primeiro esboço de "Lucy Smith's History", pág. 46, Arquivos da Igreja SUD).


Brighan Young também fez alusão à um ANJO na Primeira visão:

“O Senhor não veio... mas enviou Seu anjo e informou que ele não se deveria unir a nenhuma religião sectária daqueles dias, pois todas estavam erradas” (Journal of Discursers vol. 2, pag.171, February 18, 1855). - veja figura abaixo:





Willdford Woodruf, o quarto profeta da Igreja, também disse que o mormonismo:

“começou com um Anjo de Deus voando pelo meio do céu e visitando um jovem chamado Joseph Smith, no ano de 1927” (Journal of Discourses, v.13, pag.324,  September 5, 1869).

George A. Smith, que foi apoiado como primeiro conselheiro da Primeira Presidência em1868, fez esta declaração em novembro do mesmo ano:
"Quando Joseph Smith tinha cerca de quatorze ou quinze anos... havia um reavivamento religioso... ele havia lido a bíblia e encontrou a passagem em Tiago... ele foi humildemente diante do Senhor e perguntou-Lhe, e o Senhor respondeu à sua oração, e revelou à Joseph, por anjos ministradores, a verdadeira condição do mundo religiosos.
Quando o anjo sagrado apareceu, Joseph perguntou qual dessas denominações estava certa e qual ele deveria unir-se, e foi dito à ele que todas estavam erradas..." (Journal of Discourses, vol. 12, pp.333-34)
  John Taylor, o terceiro ppresidente da igreja, fez a seguinte declaração em 2 de março de 1879:

"... assim foi quando o profeta Joseph perguntou ao anjo qual denominação religiosa estava certa para que ele pudesse unir-se à ela. A resposta foi que nenhuma estava certa. O quê, nenhuma? Nenhuma. Nós não iremos parar para responder esta questão. O anjo meramente disse à ele para não se unir à nenhuma delas, pois nenhuma estava correta." (Journal of Discourses, vol. 20, p.167).

Devemos perceber que nas citações, as autoridades da igreja referem-se claramente à um ANJO ou ANJOS e não à Deus e Jesus Cristo. Ainda, segundo Woodruff, a Primeira Visão ocorreu em 1927!!! 

Seria possível que os dirigentes da igreja se enganariam sobre uma história tão importante?

Outra versão da Primeira Visão foi publicada em 1834-35 no informativo Messenger and Advocate dos Santos dos Ultimos Dias (vol. 1, págs. 42, 78). Este relato foi escrito pelo líder da SUD, Oliver Cowdery, com a ajuda de Joseph Smith. Conta como um reavivamento em 1823 fez com que o jovem Joseph Smith de 17 anos de idade [7] se motivasse ao assunto de religião. 


De acordo com Cowdery, Joseph "desejava saber por si mesmo a certeza e a realidade da religião pura e santa" (pág. 78). Ele também orava que "se um Ser Supremo realmente existia, ele pudesse ter a certeza de que Ele o aceitava" e que por "alguma forma de manifestação sentisse que seus pecados estavam perdoados" (id. 78, 79). 


De acordo com este relato, um anjo (não uma deidade) apareceu no quarto de Joseph para lhe dizer que seus pecados estavam perdoados.


Os conflitos produzidos por este relato são numerosos:  


Primeiro, a data do reavivamento é dada como sendo 1823, ao invés de 1820. 


Segundo, se Joseph já tinha tido uma visão do Pai e do Filho em 1820, por que precisava orar em 1823 sobre a existência ou não de um Ser Supremo? 


Terceiro, quando o reavivamento o incitou a orar, o personagem que aparece é um anjo, não o Pai e o Filho.  

Quarto, a mensagem do anjo é mais um perdão de pecados do que um anúncio de que todas as igrejas estavam erradas.


Estes relatos divergentes levantaram sérias questões sobre a autenticidade da história da Primeira Visão de Joseph Smith. Pessoas distintas podem ter distintos pontos de vista sobre o mesmo acontecimento; mas quando uma pessoa conta uma história contraditória sobre o mesmo acontecimento, temos razão para questionar tanto a pessoa como o acontecimento.


Perseguição Ou Aceitação?


Hoje a história da Primeira Visão não apenas enfrenta um problema com relação à data, historicamente verificada, do reavivamento de Palmyra, Nova York, e com relatos anteriores de Joseph sobre o acontecimento, mas também entra em conflito com o que nós sabemos sobre seus primeiros anos em Palmyra. 


Em sua versão oficial, Joseph Smith alega que foi perseguido por todas as igrejas nessa área "porque eu continuava a afirmar que tinha tido uma visão." 

Entretanto, isto contradiz um dos associados de Joseph na época. Orsamus Turner, um aprendiz de impressor em Palmyra em 1822, estava num "clube de debates de jovens" com Joseph Smith. Ele se lembrou que Joseph 

"depois de captar uma centelha de Metodismo . . . se tornou um exortador muito tolerável nas reuniões noturnas" (History of the Pioneer Settlement of Phelps and Gorham's Purchase, 1851, pág. 214). 


Assim, ao invés de ter oposição e perseguição como seus relatos de 1838 alegam, o jovem Joseph era bem-vindo e permitido a exortar durante a pregação noturna Metodista. 


Este ponto é sustentado pelo historiador da Brigham Young University e bispo dos SUD, James B. Allen. Allen não encontrou praticamente nada para sustentar a alegação de Joseph de que ele contou a história da Primeira Visão logo depois dela ter acontecido em 1820, e que sofreu perseguição como resultado; ou inclusive de que Joseph estava contando sua história dez anos mais tarde.


"Há pouca ou quase nenhuma evidência, entretanto, de que no começo de 1830, Joseph Smith estivesse contando a história em público. Pelo menos, se é que ele a estava contando, ninguém parecia considerá-la importante o suficiente para tê-la registrado na época, e ninguém estava criticando-o por aquilo. Nem mesmo em sua própria história Joseph Smith menciona ter sido criticado no período em que contava a história da Primeira Visão" ("The Significance of Joseph Smith's First Vision in Mormon Thought.", Dialogue: A Journal of Mormon Thought, Fall 1966, pág. 30).



RESUMO DAS VERSÕES DA PRIMEIRA VISÃO:


Embora haja muitas semelhanças, e muitos dos relatos tenham temas comuns, há várias discrepâncias entre aos vários relatos da Primeira Visão. O ano do evento, a idade de Smith, quantos “personagens” estavam presentes, são todas questões para debate. 


Nas versões mais antigas, não há nenhuma referência a Deus ou Jesus, e o achado das placas é sem nenhum constrangimento ligado à “pedra de vidente” de Smith que ele usou enquanto caçava tesouro enterrado. 


Relatos posteriores (enquanto Smith está convertendo novos membros de igrejas locais) tornam a história submersa em linguagem cristã, e é renascida como um relato de um investigador espiritual se encontrando com Deus, em vez de um caçador de tesouros encontrando um grande achado. 


Aqui estão os relatos:


1 - Primeira Visão de acordo com a “Pérola de Grande Valor” (1838)
(antes ele tinha 14 anos) "nunca entrou em meu coração que todas (as igrejas) estavam erradas"
Aos 14 anos, ele vai ao bosque para orar. Trevas (talvez um espírito do mal) o envolvem, mas ele é libertado pelo Pai e pelo Filho

Três anos depois (1823),o anjo lhe aparece para lhe contar sobre as placas

2 - Primeira Visão segundo JS disse a Peter Bauder c. 1830
Bauder relata que Joseph Smith lhe disse “não ter nenhuma experiência cristã” com as placas.
Um anjo lhe diz para cavar e encontrar as placas em Manchester, Ontario County, NY
Joseph Smith visitou o local das placas uma vez por ano durante “3 ou 4” anos antes de possui-las.

3 - Primeira Visão Segundo relatada pelo próprio Joseph Smith (1832)
Smith começa estudando a Bíblia com 12 anos, e chega à conclusão de que todas as igrejas estavam erradas.

Aos 16 anos, por causa de sua intensa fome espiritual, Jesus aparece para lhe dizer que todas as igrejas eram apóstatas e que seus pecados estavam perdoados.

Um anjo lhe aparece enquanto tinha 17 anos (1 ano depois) para lhe contar sobre as placas.

4 - Primeira Visão relatada por Oliver Cowdery (1834) (encontrada em Messenger and Advocate)

Enquanto Smith está com 17 anos (1823), há um grande Avivamento na área, que o perturba. Joseph Smith luta com os assuntos da existência de Deus e a hipocrisia das igrejas locais.

Um anjo aparece ao lado de sua cama que o assegura que seus pecados estão perdoados.

O mesmo anjo conta-lhe sobre as placas.

5 - Primeira Visão como foi contada a Joshua, o ministro judeu (1835)

Smith tem 14 anos e luta com o assunto da religião. Em um bosque, 2 “personagens” divinos o visitam e lhe contam que seus pecados são perdoados.
Smith diz que houve várias outras visões.

6 - Primeira Visão como relatada à Erastus Holmes (1835)

Com 14 anos, Joseph Smith tem “visões de anjos”. Esta versão também foi publicada no Deseret News, mas posteriormente foi retirada do livro History of the Church. Veja a cópia do jornal abaixo:





Portanto, no Deseret News:  
"... Eu recebi a primeira visão de anjos quando eu tinha por volta de quatorze anos...[I received the first visitation of angels, which was when I was about fourteen years old ...]" (May 29, 1852).

No History of the Church:
"... Eu recebi minha primeira visão quando eu tinha por volta de quatorze anos... [I received my first vision, which was when I was about fourteen years old ...]" (vol. 2, p.312).


7 - Relato da Primeira Visão relatada a Willard Chase (relatada em 1827, segundo depoimento de 1833)

Um espírito aparece a Joseph Smith, que está com 17 anos (1823) e lhe fala das placas. Joseph Smith vê as placas.

Quando ele tenta pegar as placas, o espírito se transforma de um sapo a um homem e o espanca.

Joseph Smith obtêm as placas com a ajuda de sua pedra mágica de vidente que ele tinha previamente escavado poço de  WIllard Chases (1827). A mesma pedra foi usada por Joseph Smith para ajudá-lo a encontrar tesouros escondidos.

8 - Relato da Primeira Visão a Martin Harris (relatada in 1827 para John Clark, Segundo o livro "Gleanings By The Way” de 1842

Enquanto estava com 18 ou 19 anos, um anjo conta a Joseph Smith sobre as placas. Ele precisa se casar e esperar até que seu filho esteja com 2 anos antes que ele possa ver as placas e começar a tradução.

Smith tenta prematuramente ver as placas com seu pai, mas a caixa com as placas miraculosamente afunda na terra;

O anjo bate em Smith por sua presunção.

Joseph Smith decifra as placas usando duas pedras que vieram com as placas como “óculos” que lhe davam a habilidade de traduzir.

Joseph Smith traduz mesmo com as placas fechadas na caixa, já que os óculos lhe permitem ver através dela.




PGV
JS  a Peter Bauder
JS (1832)
Oliver Cow-
dery (1834)
Joshua
(1835)
E.
Hol-
mes (1835)

W.
Chase (1827)
Martin Harris 1827
Ano e idade
1820
14 anos


1823
17 anos
14 anos
14 anos
1823
17 anos
18 ou 19 anos
Moti-
vação
Aviva-
mento e fome de saber
a verda-
de

JS
SABIA
que 
todas 
as igrejas esta-
vam erradas
Aviva-
mento e fome de saber a verda-
de




Quem apare
-ceu
Deus 

Jesus Cristo

Jesus Cristo
Anjo
dois perso-nagens
Vários anjos
Um espírito
um anjo
Onde apare
-ceu
bosque


Ao 
lado 
de sua cama
bosque



O que
foi
dito
Não 
há igreja verda-
deira

Seus peca-
dos estavam perdoa-
dos

Não 
há igreja verda-
deira
Seus peca-
dos esta-
vam perdoa-
dos

Placas de ouro


Placas de ouro;
JS vê 
as placas
Placas de ouro; Ele precisa se casar e ter um filho com 2 anos antes de ver as placas
Outros







O espírito sapo se trans-
forma em um
homem
e o espan-
ca.

As placas afun-
dam na terra;
O anjo bate em Smith

Outra visão
3 anos depois
1823

1 ano depois
17 anos
várias




Quem apare
-ceu
Moroni
Um anjo

Um
anjo





Onde apare
-ceu
Quarto







O que
foi dito
Placas de outro em Cumo-
ra
cavar e encontrar as placas
Placas de 
ouro







Conclusão


De todas as linhas disponíveis de evidência, portanto, a versão "oficial" de 1838 da história da Primeira Visão de Joseph Smith parece ser mito e não história:
  • Não houve reavivamento em nenhum lugar na área de Palmyra-Manchester, Nova York, em 1820.
  • Os acontecimentos conforme contados por Joseph Smith não se encaixariam num período de tempo entre o reavivamento de 1824 e a publicação de 1830 do Livro de Mórmon.
  • Joseph era bem-vindo, e não perseguido pelos Metodistas.
  • Em seu relato de 1832, Joseph disse que foi por estudo pessoal da Bíblia que ele determinou que todas as igrejas eram apóstatas, enquanto que em seu relato de 1838 ele disse que "nunca passou por seu coraçao que todas estivessem erradas".
  • Em sua versão de 1832, Joseph alegou ter tido apenas uma visão de Cristo e em sua versão de 1835 Joseph contou sobre a visita de um anjo, enquanto na história de 1838, a mensagem veio do Pai e do Filho.
  • Ninguém conheceu a versão de hoje da Primeira Visão até depois que Joseph a tivesse ditado em 1838, e nenhuma fonte de publicação a menciona até 1842 (id. pág. 30ff).
Os conflitos e contradições trazidos à luz pela evidência histórica precedente demonstram que a história da Primeira Visão, conforme apresentada pela Igreja Mórmon hoje, deve ser considerada como sendo invenção da mente muito imaginativa de Joseph Smith. Os fatos históricos e as próprias palavras de Joseph a desacreditam.


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Notas
1. James B. Allen, professor da Brigham Young University, em "The Significance of Joseph Smith's First Vision in Mormon Thought," Dialogue: A Journal Of Mormon Thought, Outono 1966, pág. 29. Allen era um bispo dos SUD na época.
2. Por exemplo: a revista da igreja Mórmon the Ensign [A Insígnia], abril de 1995, apresenta um artigo de seis páginas sobre a importância da Primeira Visao, intitulado "'Oh, How Lovely Was The Morning!': Joseph Smith's First Prayer and The First Vision" ["O, Quao Bela Foi A Manha!: A Primeira Oraçao de Joseph Smith e a Primeira Visao" - nao dá nenhuma pista dos sérios conflitos entre a história da Primeira Visao e a evidência histórica.
3. Palmyra e Manchester eram cidades adjacentes.
4. Veja os "Records" ["Registros"] da Igreja Presbiteriana da área de Geneva, Presbyterian Historical Society [Sociedade Histórica Presbiteriana], Philadelphia, PA; "Records for the First Baptist Church in Palmyra" ["Registros da Primeira Igreja Batista em Palmyra"], American Baptist Historical Society [Sociedade Histórica Batista Americana], Rochester, NY; Ata da Conferência Anual [Metodista], Circuito de Ontario , 1818-1821, págs. 312, 330, 346, 366
5. Lane escreveu que a obra do Senhor em Palmyra e circunvizinhança "começou na primavera, e progrediu moderadamente até o tempo da reuniao quadrimestral, que foi realizada nos dias 25 e 26 de setembro de 1824. O artigo da Wayne Sentinel declara: "A reforma está continuando nesta cidade em grande extensao. O amor de Deus tem sido derramado nos coraçoes de muitos, e o derramamento do Espírito parece ter conquistado uma fortaleza."
6. Linda King Newell e Valeen Tippetts Avery, Mormon Enigma, Emma Hale Smith, University of Illinois Press, 2a ediçao, 1994, pág. 25.

7. Na página 78, Cowdery corrige um erro de impressao com relaçao à idade de Joseph. Quando Cowdery começa a relatar as origens dos Mórmons na página 42, ele menciona o reavivamento e a idade de Joseph como sendo quatorze. No segundo assunto, quando ele continua a história na página 78, ele data o reavivamento como sendo em 1823 e corrige a idade de Joseph para dezessete anos de idade.

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