INVESTIGAÇÕES SOBRE A IGREJA SUD
JS 1 - origem e adolescência

JOSEPH SMITH -

ORIGEM E ADOLESCÊNCIA


Iniciarei este assunto com uma citação de Joseph Fielding Smith:


O mormonismo deve manter ou negar a história de Joseph Smith. Ele era um profeta de Deus, divinamente chamado, propriamente comissionado, ou ele era uma das maiores fraudes que este mundo já viu. Não há meio termo. Se Joseph era falso,  que deliberadamente enganou as pessoas, então ele deve ser exposto, suas afirmações devem ser negadas e suas doutrinas devem ser falsas, pois as doutrinas de um impostor  não podem se harmonizar com em todas as particularidades com a verdade divina. Se suas afirmações e declarações foram construídas sobre fraude e falsidade, apareceriam ários erros e contradições, que seriam facilmente detectados” [1]

As análises aqui feitas não são a biografia completa da vida de Joseph Smith, pois isto já foi muito bem feito por vários estudiosos. Aqui, avaliaremos  as partes mais importantes do caráter deste homem, assim como as influências que ele sofreu ao longo de sua vida e que delinearam o rumo do mormonismo.

1 - HISTÓRIA GERAL

Joseph Smith Jr. nasceu em Sharon, Vermont. Seu pai, também chamado Joseph, e sua mãe, Lucy, começaram o casamento com o dote de mil dólares. Mas este dote foi gasto rapidamente e a fazenda na qual viviam logo ficou cheia de mato.

Numa tentativa de recuperar suas perdas, o pai de Joseph ouviu dizer que os chineses pagariam altos valores pela raiz de ginseng, que crescia em Vermont. Assim, ele investiu tudo que sobrara num carregamento de Ginseng para a China. Quando seu plano falhou, a família mudou-se para uma fazenda próxima a Palmyra, Nova York, na parte oeste do estado. Ali estavam em condições um pouco melhores que em Vermont.

Os Smith eram uma família pobre, e não podiam arcar com os custos de uma educação particular para seus filhos. As crianças aprenderam a ler e a escrever com sua mãe Lucy, e com seu pai Joseph Smith Sr., que ocasionalmente também era profesor.  Ao ler a biografia de Lucy, percebemos que ela era muito bem educada e sem dúvidas, capaz de ensinar um certo nível de inglês aos seus filhos. [2]

No mesmo livro acima citado, encontramos os escritos de Lucy Smith:
“Conforme nossos filhos foram excluídos do privilégio das scolas, nós começamos a fazer de tudo para realizarmos essa importante tarefa. Nós colocamos nosso segundo filho, Hyrum, em uma academia em Hanover, e os outros, que não tinham idade suficiente, nós os colocamos em uma escola comum, que também era bem conveniente. Enquanto isso, eu e meu companheiro estávamos fazendo tudo que nossas habilidades permitiam para a prosperidade e vantagem da família”

Um mito dentro do mormonismo é apresentar Joseph Smith como um garoto da fazenda ignorante, que foi escolhido por Deus para ser Seu representante. Assim, é afirmado que Joseph não poderia saber o suficiente para compor e criar o livro de mórmon a partir de seus conhecimentos.

Enquanto Joseph não foi educado no sentido formal, ele era um leitor muito capacitado. Amostras antigas de seus escritos mostram claramente que ele era capaz de compor pensamentos de forma polida e literata. Quando essa capacidade de leitura é unida com a disponibilidade de materiais de leitura e uma mente altamente questionadora,  emerge uma imagem bem diferente daquele garoto ignorante da fazenda.

Apesar de sua ortografia e sintaxe não serem boas em relação aos padrões do século XXI, devemos lembrar que apenas em 1828 os primeiros dicionários americanos foram publicados, e a ortografia foi padronizada.

2 - VIDA RELIGIOSA

O lar em que Joseph Smith foi criado estava religiosamente dividido. Lucy Mack (figura ao lado) veio de uma família de Connecticut, que se separou do tradicional puritanismo e uniu-se aos Seekers, um movimento que procurava por um novo profeta e novas revelações para a restauração do cristianismo verdadeiro (Leia mais sobre os Seekers AQUI).

O avô materno de Joseph, Solomon Mack, afirmava ter presenciado visitas divinas do paraíso. Quando ele tinha 78 anos, os relatos destas visitas foram publicados em um pequeno livro que ele distribuiu aos amigos, vizinhos e à qualquer um que o comprasse. [3]


Já a família de seu pai, de acordo com os dados genealógicos de New England, vinha de homens ilustres. Robert Smith, um puritano que chegou nos EUA em 1638, teve um filho, Samuel Smith, que foi o representante de Massachusetts. Asahel Smith, filho de Samuel e avô de Joseph, foi capitão da Minute Men, que respondia pelo alarme de Lexington e pela defesa de Boston. [4]



Lucy Mack Smith, a mãe de Joseph Smith Jr., era uma mulher ambiciosa e muito mística, sempre falando de seus sonhos estranhos. Ela era, entretanto, a mais empreendedora da família. As pessoas que a conheciam diziam que ela podia olhar diretamente em seus olhos, inventar um conto inimaginável e, quando desafiada, conseguia defender suas afirmações exageradas sem nenhum constrangimento.

Muito pouco pode ser dito sobre o pai de Joseph Smith. O escritor mórmon Dale Morgan descreve Joseph Smith Sr. como “Não tendo inclinação para o trabalho físico ou de campo, e não era um homem de se isolar em um local solitário na periferia da civilização” [5]
 
 Joseph Smith Sen, segundo relata sua esposa, teve ao todo sete sonhos ou visões consideradas sagradas. O tema recorrente nos seus sonhos era a condição solitária de "seeker" vagando no deserto religioso de seu tempo. Outro tema também comum era a redenção de sua alma e a futura salvação (Neves, 2005).

Ele também era dado à caça ao tesouro. Em uma declaração assinada por vários cidadãos proeminentes de Manchestes, Nova York, em 3 de novembro de 1833, Smith pai era descrito como “preguiçoso, indolente, sem temperança [podendo referir-se à bebidas alcoólicas], destituído de caráter moral e viciado em certos hábitos” [6]

Apesar de terem uma certa religiosidade, a família raramente ia à igreja. Lucy ia à alguns encontros presbiterianos, mas seu marido se recusava a acompanhá-la. Após se mudarem para Palmyra, eles se envolveram com magia e com procura de tesouro.

D. Michael Quinn, um estudioso mórmon, documentou cuidadosamente como a cultura da época influenciou Smith, especialmente sua família. Seu pai e seu tio usavam gravetos divinos [7]. Luman Walters ensinou à Joseph como usar a “Pedra do Vidente” para descoberta de tesouros [8] e “espíritos familiares”, e a usar instrumentos de bruxaria como “sapos empalhados” e uma “adaga antiga” [9].

Ainda, as seguintes declarações mostram as espectativas religiosas da família:

Sobre Asahel Smith, avô de Joseph Smith:
"Meu avô” recorda o primo de Joseph, George A. Smith “disse que ele sempre soube que Deus iria levantar algum ramo de sua família que seria de grande benefício para a humanidade”. [10]

De acordo com Joseph, após seu avô Asahel ter lido quase todo o livro de mórmon:
“ele declarou que eu [Joseph] era o profeta que ele já sabia que viria nesta família”.[11]

A família Smith deu muita atenção às revelações de Joseph e, de acordo com sua mãe, geralmente passavam as tardes ouvindo-o ensinar. Lucy Mack Smith, mãe de Joseph Smith disse:

“Eu presumo que nossa família apresentava um aspecto mais singular do que qualquer outra família que já viveu na face da terra – todos se sentavam em círculo, pai, mãe, filhos e filhas, e davam uma profunda atenção à esse garoto de 18 anos de idade: .... A união mais doce e a felicidade espalhavam-se em nossa casa, e a tranquilidade reinava em nosso meio”. [12] 

O MOVIMENTO SEEKER E O MORMONISMO
(extraído e adaptado de NEVES, 2005)
 
É necessário chamarmos a atenção para a primeira visão de Joseph Smith: atônica da visão era inteiramente seeker com a confirmação de que o mundo estava espiritualmente morto, ou seja, em condição apóstata do cristianismo. 
 
Porém, na primeira visão, não havia nada que prometesse a futura restauração do evnagelho. De fato, somente com o desdobrar gradual da religião é que Joseph Smith começou a definir os conceitos de apostasia, restauração e autoridade. A visão, a princípio, era um assunto estritamente pessoal com a busca do perdão divino.

A primeira menção de uma restauração da igreja primitiva foi feita somente em março de 1829, NOVE anos após a primeira visão, explicando que Deus poderia estabelecer uma igreja de acordo com o padrão do Novo Testamento.

A restauração da autoridade para batizar, feita por um mensageiro angélico, foi o cumprimento das mais profundas expectativas seekers. Seu sucesso ao converter discípulos se deve, fundalmentalmente, por sua reinvidicação única de autoridade divina.

Ainda hoje os missionários mórmons reinvidicam para si a exclusividade desta autoridade. Assim, todo o desenvolvimento doutrinário do mormonismo, sob o comando de Joseph Smith, pode ser considerado uma bem sucedida busca pela autoridade religiosa. A influência seeker sobre o mormonismo é evidente, e obteve seu auge com a conversão coletiva da comunidade seeker no noroeste de Ohio.

Sidney Rigdom, assim como diversos seguidores de Campbell, buscavam uma restauração radical que incluísse dons e manifestações espirituais do cristianismo primitivo, e não apenas a restauração da sua forma exterior, como pregavam os Campbelistas. Assim, em pouco tempo, enormes ondas de seguidores campbelistas uniram-se ao mormonismo, que afirmava possuir a autoridade divina..


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Notas

1 - Joseph Fielding Smith, Doctrines of Salvation (Salt Lake City: Bookcraft, 1954), v.1, p188).
2 - Biographical Sketches of Joseph Smith the Prophet and His Progenitors for many Generations by Lucy Smith – Mother of the Prophet.
3 - William J. Whalen, The Latter-day Saints in the Modern World (New York: The John Day Company, 1964), 23)
4 - Hebert Spencer Salisbury, "The Mormon War in Hancock County," Journal of the Illinois State Historical Society, July 1915, 281-282.)
5 - John Phillip Walker, Editor, Dale Morgan on Early Days of Mormonism (Salt Lake City: Signature Books, 1986), 219.
6 - Daniel P. Kidder, Mormonism and the Mormons: A Historical View of the Rise and Progress Of the Sect Self-styled Latter-day Saints (New York: Carlton and Lanhan, 1842), 20-21.
7 - Smith's associations with occult traditions in early America, including extensive documentation of events discuss here, are comprehensively detailied in D. Michael Quinn, Early Mormonism and the Magic World View (Salt Lake City: Signature Books, 1987). For a interpretive reading of this history see Lance S. Owens, "Joseph Smith Kabbalah: The Occult Connection", Dialogue: A Journal of Mormon Thought 27 (Fall 1994): 117-194.
8 - Joseph Smith's and his religion's interactions with the Masonic tradition are fully documented in Michael W. Homer, "'Similarity of Priesthood in Masonry': The Relationship between Freemasonry and Mormonism", Dialogue: A Journal of Mormon Thought 27 (Fall 1994): 1-113.
10 - "Sketch of the Auto-biography of George Albert Smith," Millennial Star, June 24, 1865, 407
11 - History of the Church, v.2, p.443.
12 - Lucy Smith, History of the Prophet Joseph Smith, rev. George A. Smith and Elias Smith, (1902), 84.
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